Alea jacta est

Neste primeiro lançamento, além dos dados, jogo o desejo de construir jogo.

O jogo se constrói consentido. Todo jogo pressupõe regras, que se tornam lúdicas somente se consentidas pelas partes jogadoras – afinal, o jogo é atividade voluntária. Diferente disso, que sentido teria? Jogar contra a vontade é estéril. É permanecer cético frente ao encantamento, e assim não transcender a vida corrente: o jogo é real e ficção ao mesmo tempo.

Os boxeadores, antes de entrar na violenta arena de combate, obedecem às recomendações dos árbitros. Cessam ao toque do gongo, retornam aos corners, e por vezes até trocam carinhosos abraços ao final da luta. Por obedecer às regras, constituem jogo diferente da vida comum.

Regras podem ser burladas, desviadas ou interpretadas, mas todas as contravenções dentro de limites que não as inviabilizam por completo.  Quebradas completamente, destroem o feitiço do jogo e a realidade reaparece de modo violento demais. De novo o pugilismo: a dentada de Tyson em Holyfield é exemplo perfeito. Quebrou-se orelha e regra ao mesmo tempo, e por mais terrível que tenha sido a agressão física, ainda pior foi o desrespeito às regras. Fim de jogo.

Tudo isso para dizer que só a participação voluntária fará este blog dar jogo. E eu aposto minha orelha que dará.

Alberto Tembo usou suas reflexões sobre Homo Ludens, de J. Huyzinga, para elaborar este convite pouco ortodoxo.


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