Make them laugh

Sempre rir, sempre rir… Pra viver é melhor sempre rir…

Quem não se lembra da canção tema de abertura do programa do Bozo, por sua vez uma versão da clássica Make them laugh, um dos pontos altos do filme Cantando na chuva? O genial Donald O’Connor apresenta, cantando e dançando, sua verve cômica e talento para o improviso (segundo correm as histórias, a cena do sofá com a boneca é resultado de seus improvisos em cima da coreografia de Gene Kelly), usando a própria idéia do riso como mote para fazer rir.

 

Mas por que rimos, afinal? Onde está esse botão que dispara a gostosa sensação da gargalhada, o que é que faz a tampa transbordar? Aristóteles é o primeiro a dizer que o riso é exclusividade do homem, animal racional e capaz de alguma separação entre percepção e racionalidade. Seguindo estes passos, o filósofo francês Henri Bergson em seu livro O Riso aprofunda o pensamento sobre o assunto, apostando que o riso, para acontecer, precisa de um distanciamento do que é apenas emocional. Ele diz: Vários definiram o homem como “um animal que sabe rir”. Poderiam também tê-lo definido como um animal que faz rir, pois, se algum outro animal ou um objeto inanimado consegue fazer rir, é devido a uma semelhança com o homem, à marca que o homem lhe imprime ou ao uso que o homem lhe dá.

Em outro momento, chama a atenção para situações de grande rigidez que tendem ao cômico. O deslocamento de situações e a repetição desses elementos em outro contexto pode disparar o riso – uma resposta imediata, ruidosa e irresistível à percepção do deslocamento equivocado de uma ação, agora apenas mecânica, vazia de sua intenção original. Ainda sob esse olhar, o escritor Ítalo Calvino propõe que a origem da poesia flerta com o desenvolvimento da linguagem e com o jogo, o lúdico provocado pelo deslocamento do uso das palavras, um brinquedo de ampliá-las em som e construção de significados. Nesse encruzilhada, me lembrei de outra cena deliciosa do filme, que brinca com trava-línguas (Moses supposes his toses are roses) e troca-pernas, em outra coreografia lúdica e sensacional.

Por fim, Bergson diz ainda que o riso é um acontecimento social. Sempre rimos juntos, ainda que o outro esteja presente apenas numa representação mental. Não importa qual o botão acionado, se o riso é nervoso, debochado ou escandaloso, rir é uma delícia. Há pouco, os dois primeiros colocados do ranking do tênis mundial, Rafael Nadal e Roger Federer foram flagrados num interminável ataque de riso ao tentarem gravar um comercial. Há vários dos elementos pensados por Bergson nesta cena cômica involuntária. Outros tantos nos parecerão segredos codificados, lidos pelo nosso corpo que sabe que, como bocejar, rir também é contagioso.

(Você pode baixar o livro de Henri Bergson aqui)

 

Stella Ramos adora assitir a uma boa partida de tênis, e é especialmente fã de Nadal e Federer. Já deve ter visto Cantando na Chuva ao menos umas quarenta vezes. Riu em todas.

 

 

E você, já teve um ataque de riso inesquecível? Compartilhe conosco, nos comentários!

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